Salão Internacional do Móvel de Milão 2016

Arte e Design

Salão de Milão Estande da MDF Itália, no Salão Internacional do Móvel de Milão. Foto: Divulgação

Dicas de Helio Bork, direto do Salão de Milão:
“Os materiais e cores estão bastante definidos. Cinza é a cor ! E é somente a confirmação do ano passado e a semente do retrasado que se mantém fortemente. A princípio era algo como uma mescla de beige e cinza, aqui apelidada de “Greige”. Agora porém cinza mesmo, desde a mescla até o grafite escuro quase preto. Nas madeiras, o cinza não vem mais predominante na forma de laca, mas sempre com os veios visíveis e, em sua grande maioria, aplicado ao Carvalho, ou Nogueira.
Tecidos sempre naturais mas, sempre em cinza. Ainda tintas que simulam metais sobre as madeiras, como estanho, aço cortem e latão. Aliás, o latão está Vivo ! Aplicado em diversos detalhes o próprio latão, vê-se presentes.
Muitas peças ressuscitando antigos desenhos dos anos 40 e 50. Destaque para a fantástica escrivaninha desenhada por Michele De Lucchi para a Molteni&C. Diga-se de passagem, o stand da Molteni é o mais bem montado da feira. Ainda sobre as marcas, destaque para no novo sofá de Patricia Urquiola para a Moroso. Jean-Marie Massaud fez seu melhor projeto para a MDF Italia. Uma nova coleção de cadeiras que provavelmente, tudo indica será a nova sensação do mercado.”


Salone del Mobile de Milão

Arte e Design

Meu amigo Helio Bork manda notícias do Salone del Mobile de Milão. Relato impecável. Não percam.
Salone de Milão 5
“Meu amigo querido a feira, a cada ano que passa tem menos novidades e sobra menos tempo pra ver o panorama geral. Nos 3 primeiros dias, somente reuniões em salas fechadas e negociações sem qualquer charme. Desde a crise de 2008, tudo ficou mais frio… poucas criações e muitas pressões comerciais.
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Milão, este ano, já respira um pouco melhor após 4 anos consecutivos de sofrimento criativo. As fábricas do primeiro mundo estavam sempre acostumadas a enormes investimentos para embalar criações e experiências em design novo, mas estiveram entrincheiradas para sobreviver. Agora já recomeçando e após várias aquisições e “merges” novos e poucos investimentos ressurgem para inovar. O grupo Frau é o exemplo mais clássico. Composto da centenária Poltrona Frau, Cassina e Cappellini, investiu pesado em exposições, parcerias, eventos e novidades.
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Segue…
Lembra-se do histórico showroom da Driade? Bem… esteve fechado 3 anos após o colapso dela e agora adquirido, junto aos 2 prédios laterais do número 30 da Via Manzoni (bem em frente ao QG de Giorgio Armani) pelo grupo Frau. Ao fundo, os afescos do século XVII ainda misturados ao excepcional trabalho artesanal em couro, junta-se a Bottega Veneta para o preview de uma futura coleção de mobiliário das duas marcas. Tbm apresenta o respeito a tradição com a demonstração de como ainda produz os clássicos do começo do século XX, como o Chesterfield ou a poltrona 1919 tal qual foram criados.
Salone de Milão 1
Ainda nas ruas, os pontos altos ficaram por conta da montagem sobre o Studio Nendo, cada vez mais consolidado, com um espaço impressionante montado pela Glas Italia, no Museo Della Permanente. Muito boa também a exposição agrupada pela Interni, na Universitá del Studi onde se vêem diversas apresentações, onde valem destacar as montagens de Kengo Kuma e Daniel Libeskind em uma espécie de crítica irônica aos jardins do futuro. Vale lembrar o belíssimo trabalho de José Roberto Moreira do Vale na curadoria da Brasil S/A. Desta feita, montagem com qualidade irrepreensível.
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Na feira, percebe-se claramente o desgaste causado pelos anos de crise. Faltam alguns, reduziram-se outros e realocaram-se vários. Além, é claro, de evidentes repetições de estruturas de anos anteriores, afim de economizar nas montagens. Volta visivelmente os mármores, metais mais escuros, foscos e novos acabamentos, tipo estanhados ou niquelados. A cor que ouve é “Greyge”. Ou seja, tudo em uma classica mistura de bege e cinzas. Ainda sobrevivem esporadicamente algumas cores vivas salpicadas de laranjas e vermelhos. As madeiras continuam escuras em sua maioria e desde o ano passado, encorporado o Eucalipto escuro, provavelmente, mostrando a necessidade de uso de madeiras de replantio. Aliás, ecologicamente corretos é o que muito se fala em todos os lugares.
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Este ramo, por características óbvias, tem extrema sensibilidade a questões ambientais.
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Espero ter cumprido um pouco da minha missão”


Maria Bonomi

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Ontem à noite foi colocada uma grande escultura de Maria Bonomi no fim da Av Paulista, ou começo, sei lá, na frente do Shopping Paulista, no Paraiso. O acaso fez um desagravo a Maria, que não foi incluída na seleção da mostra dos 30 anos da Bienal. Viva Maria!

Plexus maria bonomi
Crédito: Divulgação


Duas mostras de decoração

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Entre ontem e hoje, dei uma espiada na Casa Cor, e uma boa visitada na Mostra Black. É claro que a segunda, por ser menor, mais íntima, este ano realizada num lugar deslumbrante, com uma vista que mostra o melhor angulo de SP, é mais prazerosa. Em pouco mais de uma hora você vê tudo, detalhadamente, perguntando sobre obras de arte, móveis de design, acabamentos. Gostei de praticamente tudo. Pra ser sincero, de 30 ambientes, não gostei de 3. E assim mesmo, não detestei. Mas não vou dizer quais são.

A Mostra Black, como no ano passado e no anterior, é muito homogenea na qualidade. Os medalhões confirmam a qualidade, e os novos acompanham muito bem. Não vou postar fotos, porque o Instagram está cheio delas, postadas pelos próprios arquitetos, e eu já fiquei enjoado de vê-las. A Casa Cor é mais complicada. Não é tudo que você quer ver. E o que você quer ver você não acha logo de cara. Mas garanto que, na média, está infinitamente superior às edições anteriores. Gostei até de dois jardins! Coisa que não acontecia faz tempo. Também não adianta ficar citando nomes. Adianta dizer que o Sig é um dos melhores cenógrafos que temos? Adianta dizer que o Migotto e o Dado acertaram em tudo? Adianta dizer que a Esther e a Rosa May são chiques? Isso é chover no molhado. Mas preciso dizer que fiquei muito impressionado com os espaços do Fabrizio Rollo e do Murilo Lomas. Muito elegantes, audaciosos nas misturas, projetos redondos, sem altos e baixos. Parabéns a todos das duas mostras. Valem uma visita