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February 13, 2014 |

Televisão

O Grupo Catalão La Fura dels Baus volta a São Paulo de maneira bem menos sensacional, mas não menos criativa. Em vez da trupe, mandou uma intervenção, feita de luz e vídeo, para a apresentação da Trilogia Romana, de Ottorino Respighi, pela Orquestra Sinfonica Municipal, sábado e domingo no Teatro Municipal. No palco, apenas a orquestra e o maestro John Neschling. Tudo o que acontece em volta é a participação do Fura. O espetáculo foi criado e apresentado assim nas Termas de Caracalla, na Itália. O grupo, conhecido por megacoreografias, como a abertura dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, que já esteve em são Paulo nos anos 90 e há quatro anos, surpreende agora com esta intervenção eletrônica. O público paulista, acostumado a suas acrobacias em grandes espetáculos, pode estranhar, mas certamente vai gostar. O Fura, nos últimos tempos, tem feito montagens operísticas e de teatro tradicional, usando sua extraordinária criatividade. Uma amostra desse resultado está aqui, para um público curioso de música com efeitos especiais. Longe daqui, o artista plástico brasileiro Ernesto Neto abriu hoje uma grande mostra no museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, aquele com desenho audacioso do arquiteto canadense Frank Ghery. A arte de Neto combina perfeitamente com as volutas neobarrocas de Gehry. O artista, um dos brasileiros com melhor trânsito no circuito internacional, com obras nos acervos de museus importantes como o Centre Pompidou, de Paris, apresenta 55 trabalhos, dos anos 80 até alguns inéditos, realizados especialmente para esta exposição. Alguns de imensas dimensões. Um deles ocupa todo o átrio do museu, inclusive na altura. Em sua maioria, são obras de imersão: sejam penetráveis, ou de contato, pelo tato ou pelo olfato. Um dos objetivos principais deste criador incomum é despertar os sentidos do público visitante. A intenção já está no título, O Corpo que me leva. A mostra fica em cartaz até 18 de maio. Quem estiver por perto neste período, e ainda não conhece este museu, deveria aproveitar o gancho e ir até lá. Garanto que não vai se arrepender. E aqui mesmo, o artista Bartolomeo Gelpi se espalha hoje pela Vila Madalena, ocupando todo o espaço da Galeria Central e mais o Ateliê. Na galeria, uma mostra de obras recentes, de fase inédita. No ateliê, dois sites especificos, realizados diretamente sobre a alvenaria. Nos trabalhos de ambos os endereços, a baleia e a montanha são referências recorrentes, como a indicar uma ressurreição e uma ascensão. De fato, estes trabalhos são muito diferentes dos anteriores do artista, imbuídos da obsessão da linha reta. Entre os dois endereços, um shuttle, para maior conforto do público.


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February 6, 2014 |

Televisão

São Paulo atraiu, neste começo de ano, muito boa arte contemporânea internacional. A começar pelo Centro Cultural Banco do Brasil, lá no centro velho da cidade, que está apresentando a mostra Visões da Coleção Ludwig, com 78 obras desta que é uma das mais importantes coleções particulares de arte do século 20, sobretudo da pop art em diante. A coleção está espalhada por doze endereços pelo mundo. Estas obras chegam do Museu Ludwig de São Petersburgo. Entre as preciosidades, que ocupam os quatro andares do museu, estão várias obras de Picasso, Andy Warhol, Jean Michel Basquiat, Roy Lichtenstein, Jasper Johns, Jeff Koons e Anselm Kiefer entre muitos outros. A galeria Fortes Vilaça, na Vila Madalena, abre hoje uma mostra da alemã Janaina Tschäpe, residente em Nova York e ex mulher do brasileiro Vik Muniz. The Gost in Between é o nome de seu mais recente filme, produzido na Amazônia. Apresentado em dupla projeção, ele pretende ter o mesmo enfoque romântico das expedições científicas desbravadoras dos séculos 18 e 19. O título faz alusão ao costume dos povos da floresta de procurarem fantasmas em fotografias e filmes. Na galeria Luciana Brito, na Vila Olímpia, o destaque é para a arte do britânico Anthony McCall, também radicado em Nova York. O artista, que já expos na galeria há 3 anos, traz desta vez uma instalação alusiva ao cinema, que além da imagem projetada é multiplicada por espelhos. Em outra sala, dois trabalhos dos anos 70 baseados em projeção de luz, como esculturas luminosas. E mais 24 desenhos da série Traveler projetam a performance Eclipse. A partir de sábado. A filial paulista da galeria londrina White Cube, instalada na região do Ibirapuera, abre dia 15 mostra do artista americano Larry Bell. Ele traz obras dos anos 80, suas Mirage Paintings, e colagens e esculturas recentes, reunidas sob o título The Carnival Series. Finalmente, a galeria Mendes Wood, nos Jardins, apresenta, também a partir do dia 15, trabalhos recentes do artista David Salle. Mais um americano veterano, que influenciou a geração dos anos 80. Ele traz colagens inéditas, em sua primeira mostra no Brasil. Esta profusão de arte internacional em nossas galerias, e a presença de uma galeria londrina na cidade, é prova consistente do interesse do mercado local em investir não só em arte brasileira.



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January 23, 2014 |

Televisão


Nos próximos dias, os museus e instituições culturais do Parque do Ibirapuera oferecerão programação variada, para todos os gostos e idades, em homenagem ao aniversário da cidade. A partir de amanhã, o Museu Afro Brasil ocupará todo o espaço da Oca, com a mostra Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber, em parceria com a Universidade de Coimbra, em Portugal. O ponto de partida é a refundação da Universidade, pelo Marquês de Pombal, no século 18, e a introdução do ensino das ciências em Portugal, tendo em vista o interesse científico dos portugueses pelas viagens marítimas e os territórios de além mar, principalmente África e Brasil. Traz peças raras do acervo da Faculdade de Ciências e de colecionadores particulares, como astrolábios, esferas, lunetas, mapas, cartas geográficas, desenhos, pinturas, retratos, herbários. E peças do acervo de Antropologia da Faculdade, recolhidos por missionários entre povos africanos. A mostra é completada por obras de artistas contemporâneos que atualizam o tema Cartografia do Poder. Entre muitos, José Resende, José Rufino, Lygia Pape, Tunga e Artur Omar. Até 23 de abril.
A partir de sábado, o Ibirapuera será sacudido por um festival de cultura ligada ao surf: o Festivalma, que chega à sua décima edição. Como cartão de visita, apresenta a pintura do artista santista Hilton Alves, que mora no Havaí há dez anos. Surfista, claro. Sua obra, na face externa do Pavilhão das Culturas Brasileiras, retrata uma enorme onda, de 120 metros de comprimento. Dentro do pavilhão, uma mostra de fotos e pinturas que expressam a cultura brasileira de praia e a preocupação com a destruição deste ambiente, assinadas por nomes como Cassio Vasconcellos e Tuca Reines. No entorno do Pavilhão, no Bosque da Figueira, só no dia 30, haverá festival de curtas metragens e o Festival Billabong de música, com destaque para a apresentação da cantora havaiana Paula Fuga e do cantor e compositor americano Garret Dutton, o G. Love. A exposição segue até o dia 2 de março.
E o Museu de Arte Moderna abre, na terça, a mostra 140 Caracteres, inspirada nas redes sociais e nas manifestações de 2013. São 140 obras do acervo do museu, escolhidas por 20 curadores, que fizeram o curso de curadoria do MAM durante 2013, reunidos sob a coordenação de Felipe Chaimovich. A mostra ocupará as duas salas do museu. Na sala grande, obras mais contemporâneas. Na Sala Paulo Figueiredo, obras que remetem ao período da ditadura militar. No corredor de ligação entre elas, será inaugurado o Projeto Parede da artista conceitual americana Jenny Holzer, que apresenta dois trabalhos criados nos anos 70. E que, de certa maneira, tem a ver com a ideia da exposição. Até 16 de março.


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January 16, 2014 |

Televisão

Odilon Wagner comanda um elenco de atores veteranos, no espetáculo A última Sessão, que estreia hoje no Teatro do Shopping Frei Caneca. Ninguém no projeto tem menos de 45 anos de carreira. Alguns tem mais de 60 anos de palco. Uma reunião assim, de talentos importantes, é muito rara no teatro brasileiro. Basta dizer que estão juntos em cena Laura Cardoso, Miriam Mehler, Etty Fraser, Nivea Maria, Sonia Guedes, Gabriela Rabelo, Sylvio Zilber, Yunes Chami e Gésio Amadeu. O texto é do próprio Odilon, que sempre quis escrever para atores da maturidade, e dirigi-los. A história se passa durante almoço semanal de amigos que têm entre 75 e 85 anos de idade. Tudo muito alto astral e engraçado, até que um deles, um ator amargurado, resolve fazer um acerto de contas com os amigos, inspirado em A Tempestade, de Shakespeare. Aí, momentos difíceis se alternam com situações cômicas, e levam a revelações e um final surpreendente. Uma mostra de fotos no lobby mostra a carreira dos atores do elenco. Outra novidade, dado o tipo de público esperado, é que haverá matinês às quintas-feiras às 16h. Com estes atores experientes em cena, e a mão firme de Odilon segurando as feras, o resultado só pode ser bom. Em cartaz até o fim de abril.
O ator Cacá Carvalho apresenta, a partir de amanhã, três textos diferentes do dramaturgo italiano Luigi Pirandello. Nesta trilogia, que fica em cartaz só até o dia 9 de fevereiro, ele interpreta O Homem com a Flor na Boca às sextas feiras; A Poltrona Escura, aos sábados; e Um, Nenhum, Cem Mil, o último texto do autor, aos domingos. Cacá é um especialista em Pirandello. Podem confiar em sua leitura. A direção é de Roberto Bacci. No Centro Cultural São Paulo.
Lucinha Lins, Tania Alves e Virgínia Rosa estreiam Palavra de Mulher, sábado no Teatro Renaissance. Numa das primeiras homenagens aos 70 anos de Chico Buarque, que serão muitas durante 2014, as três artistas cantam e dão vida às personagens femininas do compositor. Sob a direção de Fernando Cardoso elas desfilam sucessos como Basta Um Dia, Bem Querer, O Meu Amor, Folhetim, Sob Medida, À Flor da Pele, Olho nos Olhos, Atrás da Porta, entre outras. As músicas foram escolhidas e colocadas de maneira a dar forma a uma dramaturgia. A temporada vai até 2 de março. Para os fãs de Chico… não é preciso dizer nada, não?


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January 9, 2014 |

Televisão

Os palcos paulistanos começam a oferecer novidades a partir desta semana. Duas estreias marcam os próximos dias. A primeira é uma comédia deslavada, com Otávio Muller dirigindo e interpretando o texto de Cláudia Tapez, A vida Sexual da Mulher Feia. Como até os belos já se sentiram feios em algum momento da vida, há uma espécie de cumplicidade da plateia com a personagem, uma complacência que provoca gargalhadas de solidariedade e autoreferência. Só de imaginar Muller interpretando Maricleide já dá vontade de rir antes mesmo do espetáculo estrear, amanhã, no teatro Folha, no Shopping Páteo Higienópolis.
O outro espetáculo também é uma comédia divertida, um texto do italiano Eduardo de Filippo, ícone do teatro e cinema italianos do século 20, que se vale do humor para fazer críticas ao poder, alternando verdade e farsa. A Arte da Comédia, que estreia sábado do Sesc Santana, com Ricardo Blat, Thelmo Fernandes e mais dez atores, contrapõe uma companhia teatral ao prefeito de uma cidade do interior. O resultado é inteligente e engraçado, tanto que a peça chega do Rio cheia de indicações para prêmios.
Os irmãos Caymmi, Nana, Dori e Danilo, se reúnem neste fim de semana no palco do Sesc Pompéia, em São Paulo, para homenagear o pai, Dorival Caymmi, morto em 2008, que faria 100 anos em 2014. Nos quatro shows, de quinta a domingo, os Caymmi vão explorar canções não muito conhecidas, e músicas que eram cantadas pelo pai quando reunia a família ao redor da mesa. É claro que o público será contemplado também com algumas de suas composições mais famosas. Deve ser um espetáculo imperdível. Eu só lamento informar que os ingressos já estão esgotados tanto na bilheteria quanto no site do Sesc.
Finalmente, não deixem de ver a mostra sobre o cineasta Stanley Kubrick, em seus últimos dias de apresentação no Museu da Imagem e do Som, na Avenida Europa. Figurinos e objetos de seus filmes famosos, desde Laranja Mecânica a 2001 Epopéia no Espaço, o Iluminado, e De olhos bem fechados, todos guardados por sua mulher Christiane, estão à disposição do público cinéfilo. Nos últimos dias, os horários foram bem ampliados. Amanhã, o museu fecha à meia noite; no sábado, fica aberto até as três da manhã, e no domingo abre das 10 às 23h. É para os retardatários de sempre não terem desculpa. Só um aviso, a fila é imensa.