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November 28, 2013 |

Televisão

Cazuza teria 55 anos. Será que enfrentaria a idade com a mesma desenvoltura que enfrentou a doença que o matou em 1990, aos 32 anos? Com alguma contraridade, é bem provável, pois seu sucesso estava em sua juventude, sua eletricidade, sua magia. E suas letras poéticas. Quem viveu os anos 80, viu. Quem nasceu depois, tem uma chance de ver agora. O fantasma de Cazuza sobe ao palco no sábado, no Parque da Juventude, para um público esperado de 40 mil pessoas. Ele canta, em holograma, durante 20 minutos, seus maiores sucessos: Exagerado, Faz Parte do Meu show, Amor Amor, O tempo não Pára, e Brasil. O espetáculo é gratuito. A mágica foi conseguida com tecnologia. Uma animação foi feita a partir de vídeos da fase solo, para as expressões faciais, e os movimentos foram imitados pelo ator Orlando de Oliveira, o segundo colocado para vivê-lo no cinema. Esse avatar de Cazuza será dublado com sua própria voz. No palco, a banda será real, formada por amigos de Cazuza. Ao vivo, também, entram Gal Costa e Paulo Ricardo. A ideia e direção geral são de Omar Marzagão. E a direção do show é de Jodele Larcher, outro amigo de Cazuza. Essa brincadeira tecnológica custa R$8 milhões e meio de reais. A superprodução vai para o Rio, pátria de Cazuza. Mas sem data marcada. O show terá transmissão direta pelo site voltacazuza.com.br.
O Museu da Casa Brasileira abriu a mostra dos vencedores do seu 27º Premio de Design, um dos mais importantes do Brasil. Entre os premiados estão o livro Mobiliário no Brasil, de Maria Angélica Santi, Editora Senac SP; os novos fogões Brastemp, desenhados por Mario Fioretti; o banco Osso, criado por Otavio Guercia Mesquita Coelho e Rafic Farah; a luminária Ginga Led, de Fabio Falanghe e Giorgio Giorgi; o adereço têxtil Velaturas, de Renata Meirelles. Cada categoria tem mais premiados, e estão todos expostos. O Museu aproveita a ocasião para relembrar os pioneiros do design brasileiro. Este ano a homenagem vai para Fabio Alvim, morto há 20 anos, num painel que mostra seu trabalho, com imagens de objetos, gravuras e joias. Alvim ficou mais conhecido por criar luminárias como a Concha, que está exposta no MCB, e que foi catalogada pelo Museu de Arte Moderna de Nova York. O curador da homenagem, Fabio Magalhães, comanda amanhã um debate, no local, sobre a obra de Alvim.


Presépios: Um Olhar, uma História

November 27, 2013 |

Ponto de Vista

Fiquei muito satisfeito com o resultado da montagem da mostra de presépios do Museu de Arte Sacra, com os 42 expositores convidados pela Cristina Ferraz. Fizeram um ótimo trabalho. E a sala dedicada à homenagem a Edith Landmann, com todos os seus presépios expostos, ficou show. Até 6 de janeiro. Na foto, eu e Paulo, casal feliz.

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November 21, 2013 |

Televisão

O centenário de Tomie Ohtake será celebrado com um jantar para convidados, no Instituto que leva seu nome, em Pinheiros. E com a pré-estreia de mais uma exposição de trabalhos seus, a terceira sob a curadoria de Paulo Herkenhoff. Nesta, em que o crítico quer discutir Gesto e Razão Geométrica, estarão 60 trabalhos, a maioria pinturas, só para concluir que Tomie, apesar de ter aderido à geometria sensível da América Latina, em alguns trabalhos, “experimenta incessantemente a imprecisão”. Palavras dele, que contrapõe seu trabalho ao racionalismo da geometria ocidental, e explica sua contribuição por absorver valores orientais, como o enso, o circulo imperfeito do zen budismo, e a relação da forma com a sombra, tradicional na cultura japonesa. Na verdade, a arte de Tomie está acima de definições. Tanto que Herkenhoff está tentando explicá-la, em capítulos.
A gente pode falar horas sobre Tomie Ohtake. É uma personagem ímpar na arte brasileira, e na sociedade paulistana. Só agora, centenária, aceitou aparecer em público em cadeira de rodas. Isso é muito recente. Sempre teve uma vitalidade invejável. Mantém uma memória excelente, continua frequentando óperas e concertos, lembra das pessoas que vão cumprimentá-la, é agradável com todos. Uma majestade. Telmo Martino, quando colunista do Jornal da Tarde, a chamava de Imperatriz da Turma da Tempura e Mesura. E alimentava uma rixa entre Tomie e Mira Schendel. As duas, a japonesa e a suíça, tinham muito em comum. Mira também, muitas vezes, foi imprecisa em seu concretismo.
Tomie aceitou o Brasil como segunda pátria, há 77 anos. Criou os dois filhos, Ruy e Ricardo, como brasileiros, mas nunca aprendeu a falar português direito. Nem isso a impediu de ser o que é, e de ter a importância que tem no nosso meio cultural. Tanto que recebeu todas as grandes honrarias, paulistas e nacionais. Mas o melhor de Tomie é o exemplo: aos cem anos, continua trabalhando. Há obras suas datadas de 2013. O recado que dá, é que ninguém precisa parar, se tiver condições de seguir criando.
A mostra no Instituto Tomie Ohtake será aberta ao público amanhã, e fica em cartaz até fevereiro. Nunca é demais lembrar que a obra pública de Tomie pode ser vista na chegada ao Aeroporto de Guarulhos, na avenida 23 de Maio, no centro de Santo André, na Orla de Santos. E dentro de dois prédios de Oscar Niemeyer: o Auditório Ibirapuera e o Auditório Simon Bolivar, no Memorial da América Latina. Niemeyer achava que Tomie completava sua obra. Tinha razão. Tomie traz a surpresa.


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November 14, 2013 |

Televisão

A seleção de hoje privilegia o inusitado e, por coincidência, tudo na região central de São Paulo. Vamos começar com a exposição do ilustrador e artista plástico Marcelo Cipis, que abre, sábado, o calendário de exposições do Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2013, lá no Complexo da Funarte, nos Campos Elíseos. A mostra de Cipis, “Rostos à procura de um Rosto”, é composta por uma série de trabalhos inéditos que unem arte, animações em vídeo e literatura, com a participação da escritora e arquiteta Joana Barossi, também responsável pela montagem. O curador Tobi Maier vasculhou no acervo do artista trabalhos do final dos anos 1980 até hoje. São pinturas, desenhos, impressão digital sobre metacrilato, fibra de vidro pintada e até bordado sobre tecido. No trabalho de Cipis sempre há humor. Procurem. Fica até quase a véspera de Natal.
Perfume de Princesa é o surpreendente trabalho do artista plástico Wagner Malta Tavares que invadiu o espaço urbano, no centro histórico de São Paulo, ocupando vários espaços do Museu da Cidade. O perfume do título é perfume mesmo. Uma extensa instalação de tubos de metal escovado, de 300 metros, percorre o Beco do Pinto até os centenários edifícios da Casa da Imagem e do Solar da Marquesa de Santos, invadindo cômodos daquela que foi a residência de Domitila de Castro Canto e Melo, a amante de D. Pedro I. E exalando compostos aromáticos, que vão do jasmin, rosa, alfazema e angélica até o cheiro da orgia, garante o artista. A instalação fica até o começo de fevereiro, e é uma ótima oportunidade para uma visita a esta parte do centro, para os que não costumam andar por ali.
Finalmente, quem utiliza o elevado Costa e Silva, o Minhocão, aos domingos, como espaço de lazer, vai se surpreender com uma experiência explícita de voyeurismo: o Grupo Esparrama apresenta, num apartamento do terceiro andar de um prédio da rua Amaral Gurgel, número 158, de frente para o elevado, uma intervenção cênica que será repetida, todos os domingos, deste próximo até o dia 15 de dezembro, em três diferentes horários: 10h30, 14h30 e 16h30. A distância entre a janela e o Minhocão é de cerca de 5 metros. A apresentação dura 30 minutos. Em esquetes rápidos, o grupo de atores, usando linguagem circense, música, bonecos e máscaras, interpreta cenas que as pessoas esperam ver, quando espiam pelas janelas. O grupo sabe do que fala. Vários dos atores residem no edifício há mais de 10 anos. Como o espetáculo não pretende atingir apenas o público do Minhocão, uma sinalização especial estará nas alças de acesso ao elevado, ao lado do Metrô Santa Cecília e na Rua da Consolação, que indicarão o local da apresentação. É diferente. Experimentem.


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November 7, 2013 |

Televisão

Começa hoje em São Paulo a vigésima primeira edição do Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, que se tornou, em seus 20 anos de existência, o maior festival de cultura LGBT da América Latina.
Esta edição traz mais de 140 filmes de longa e curta duração, das Américas, da Europa, Oriente Médio e Ásia, e Brasil, evidente, e outras quase 40 atrações nas áreas de teatro, dança, performances, leituras dramáticas e intervenções. Em São Paulo, até o dia 17, o festival terá programação no Centro Cultural São Paulo, nas salas do Espaço Itaú de Cinema/ Augusta, CineSesc e Galeria Olido e sessões open air no Arouche e no jardim suspenso do CCSP. Daqui, o festival se muda para o Rio, onde segue até o dia 21. Toda a programação está em mixbrasil.org.br.
A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo voltou de sua muito bem sucedida turnê europeia, e apresenta-se, de hoje a sábado em sua sede, a Sala São Paulo, regida pelo maestro costa-riquenho Giancarlo Guerrero, titular da sinfônica de Nashville. O programa tem obras de Daugherty, Rachmaninov e Dvorak, com um solo do pianista russo Danil Trifonov. No domingo, a Osesp faz um concerto matinal gratuito, com o mesmo programa, mas sem a peça tocada por Trifonov.
Nas artes visuais, um acontecimento aguardado: abriu ontem, no Paço das Artes, no Campus da USP, a terceira edição da feira Parte, de arte contemporânea, que pretende oferecer ao mercado um produto bem mais acessível que outras feiras nacionais como SPArte ou ArteRio, fazendo apostas em novos artistas de qualidade, ou reabilitando uma arte de qualidade que o mercado, por alguma razão, discriminou. Algumas dessas apostas deram certo. A organização da mostra informa que jovens artistas que se apresentaram na feira em 2011 e 2012, já duplicaram ou triplicaram seus preços. E o público, da primeira para a segunda edição, cresceu 40%. A Parte reúne 33 galerias brasileiras e 4 internacionais, mais uma mostra paralela de design experimental, vídeo e moda. Quem se animar, deve se apressar. Vai só até domingo.
Finalmente um pouco de muito boa música popular brasileira é o que promete Simone, que estreia amanhã em São Paulo, no teatro do Complexo Ohtake Cultural, o show que comemora seus 40 anos de carreira. A direção é de Cristiane Torloni e o cenário de Helio Heichbauer. Baseado no novo CD “É Melhor Ser”, que sai pela Biscoito Fino, Simone desfia no palco um novelo musical de onde vão saindo belas canções de Rita Lee, Joyce, Fátima Guedes, Marina Lima, Sueli Costa, Joana, Dona Ivone Lara, e parcerias da cantora com Zelia Duncan e até Fernanda Montenegro. Um show certamente belo e emocionante. Só dois dias em São Paulo. Os fãs devem correr.