Entrevistando meu pai

October 9, 2013 |

Ponto de Vista

Quem ainda não teve ocasião de ver, este é um vídeo que eu, o Galileu Garcia Jr e o Marcos Weinstock fizemos no encerramento da mostra da coleção do meu pai na Estação Pinacoteca, no fim de 2010. Ele ainda estava ótimo, como vocês poderão constatar. Curtam.


De volta ao começo

October 7, 2013 |

Ponto de Vista

Caros, não vou alterar minha foto de perfil por causa da Semana da Criança. Mas como colaboração ao espírito do momento, que tomou conta do face, coloco a mais antiga foto minha que encontrei na casa do meu pai: eu com meses de idade, com meus pais, na frente do Castello Sforzesco, em Milão. Inverno 48/49. Pai e mãe por volta dos 23/24 anos. Minha mãe, pelos meus cálculos, já grávida de meu irmão Carlos, que nasceu em São Paulo. Ela veio da Itália de navio, bem grávida, sozinha, comigo que tinha pouco menos de 1 ano e uma babá. Meu pai tinha vindo antes, de avião. Naquele tempo, grávidas acima de sete meses não podiam voar… Abrindo o baú, que é imenso. Prometo não me exceder.

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Veja a minha participação no Jornal da Gazeta

October 3, 2013 |

Televisão

O Instituto Tomie Ohtake, em Pinheiros, abriu hoje uma importante exposição sobre a obra do cineasta português Manoel de Oliveira, que está com quase 105 anos. A mostra foi concebida pela Fundação Serralves, do Porto, em 2008, ano de seu centenário. De lá para cá, produziu mais cinco títulos! A exposição reconstrói a vida deste fenômeno do cinema, que foi também ator, trapezista, atleta, piloto de automóvel. Faz parte da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e ocupa duas salas grandes do mezzanino do Instituto, com documentos, cartazes, fotos e projeções de trechos de filmes. Até 10 de novembro.
A Galeria Nara Roesler, nos Jardins, abriu hoje uma grande mostra do argentino Julio le Parc, que ocupa todos os seus espaços internos e externos. O mestre da arte cinética, radicado em Paris, que acaba de fazer 85 anos, veio para o vernissage e uma conversa com o público. E, além de obras que cobrem 55 anos de produção, trouxe uma nova, concebida para a mostra. Até 30 de novembro.
O MAM, no Ibirapuera, abre no sábado seu 33º Panorama da Arte Brasileira. A curadora, Lisette Lagnado, desafiou vários arquitetos a pensarem uma nova sede para o museu, e alinhavou tudo com projetos de Lina Bardi, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, para este e outros museus. E juntou obras de artistas plásticos que tivessem ligação com o assunto. O resultado é uma mostra diferente, que ocupa todo o espaço do museu, sem nenhuma divisão. São maquetes e projetos espalhados pela sala, e algumas obras, fotos e documentos nas paredes estruturais. Durante a mostra, a entrada do museu volta a ser aquela criada por Lina Bardi, de frente para a Bienal. A mostra terá desdobramentos no centro da cidade a partir do dia 19. Fica até o fim do ano.
A Orquestra Sinfônica de São Paulo embarca para mais uma Turnê Internacional, com agendas na França, Alemanha, Suíça, Áustria, Inglaterra e Irlanda, em palcos consagrados. A Osesp será comandada pela regente titular, Marin Alsop, com solo do pianista Nelson Freire. O programa tem uma fantasia sobre nosso hino nacional, de Clarice Assad, e alterna concertos para piano de Chopin e Beethoven, e sinfonias de Mahler, Prokofiev e Camargo Guarnieri. A estreia será dia 7, na Salle Pleyel de Paris. Passa por Wiesbanden, Colonia, Toulouse, Genebra e Zurique. Na Áustria, toca em Viena, faz três concertos na sede do Festival de Salzburgo, e termina em Linz. No dia 21 toca na sede da Filarmônica de Berlim, e no dia 25 se apresenta no Royal Festival Hall, em Londres, dentro do festival The Rest is Noise, para o qual preparou um programa especial com uma sinfonia de Luciano Berio, e participação dos Swingle Singers. A turnê termina com apresentações em Dublin e Manchester.


Meus pais

October 2, 2013 |

Ponto de Vista

Queridos, andei falando muito do meu pai, agora quero lhes apresentar minha mãe, que foi uma mulher adorável, nas palavras de todos os que a conheceram. Aqui, pai e mãe, numa foto aos 15/16 anos, indo ou voltando do Dante Alighieri. Os dois estudavam na mesma classe e eram quase vizinhos, a dois passos da Paulista: meu pai morava na Peixoto Gomide, no primeiro quarteirão do parque, e minha mãe na Plinio Figueiredo (a rampa ao lado do Masp).Domingos e Vera


Umas palavras

September 30, 2013 |

Ponto de Vista

Na missa de sétimo dia por meu pai, hoje de manhã, disse umas palavras sobre ele, que muitos vieram me perguntar se eu iria publicar em algum lugar. Bem, então, o lugar será este. Quem foi à missa, pode pular este pedaço…

Meu pai, Domingos Giobbi, foi um homem único, e ao mesmo tempo múltiplo. Cada um de vocês conheceu um pedaço dele, o engenheiro, o músico, o colecionador de arte brasileira, o esportista do mar e das montanhas, o ser social educado e elegante, com uma prosa solta, ótimo dançarino. Meu pai, na verdade, era tudo isso e mais. Ficou claro, no seu enterro, na profunda emoção de pessoas que eu nem conhecia. E em algumas das mais de 1.500 manifestações no facebook, fora Instagram, e-mails, telegramas, telefonemas. Muitos afirmaram que conhecer e conviver com meu pai mudou suas vidas, de alguma maneira.
Meu pai tinha profundo conhecimento e um imenso entusiasmo por tudo o que lhe interessava. E tinha um irresistível poder de sedução. A meu ver, são esses os três atributos dos grandes líderes e, sobretudo, dos grandes mestres. Ele falava como um mestre. Ouvi-lo era um prazer e um aprendizado.
Em família, tinha um temperamento explosivo, que muitas vezes dificultou o convívio com os próximos. Mas isso era compensado com grandes doses de carinho e simpatia. Ele foi especialmente um bom pai na atenção que deu à nossa formação e no apoio que deu às nossas escolhas. Sobretudo as minhas, bastante heterodoxas numa família de engenheiros conservadores. Foi extremamente preocupado e atento com minha irmã, de quem cuidou até este ano. Tinha paixão pelos três netos, no que era totalmente correspondido. E teve dois casamentos felizes, com minha mãe, Vera, falecida há muitos anos, e com Adriana, que o cobriu de mimos e carinhos até o fim. Tinha especial afeição pela Helo, minha cunhada, casada com meu irmão há 40 anos, e pelo Paulo, meu parceiro há quase 35 anos. E pelos enteados Domitila e Marco Bonomi.
Com a idade, tinha virado um sábio sereno. Disse-me várias vezes que sua velhice era ótima, que não tinha problemas nem com seu passado nem com seu presente, e que era muito feliz. E quando, em 2010, a Estação Pinacoteca fez a exposição de sua coleção, eu preocupado que a emoção fosse demais para ele, aliviou minha aflição dizendo: “Meu filho, é a última cena”. De certa maneira, foi mesmo.
No fim da missa, vocês ouvirão músicas de montanha, cantadas por coros alpinos italianos, que meu pai adorava. Quando crianças, cantávamos algumas delas em família num coro de três vozes. Essas músicas falam de amor e morte, de guerra e patriotismo, sobretudo de italianidade. Nascido em São Paulo, meu pai sempre se considerou italiano.
Para terminar, quero ler para vocês um poema escrito por minha prima Adelina Aletti, que veio da Itália para se despedir de seu tio, composto horas antes dele falecer:

Bevo la tua morte
Nell’affanno del respiro
Nelle dita oggi gonfie
Di músico e scalatore.
Le montagne accoglieranno
La tua anima e la
Neve brillerá preghiere
Nella notte di luna

Que assim seja, obrigado