Boa comida, preço salgado

May 23, 2013 |

Gourmet

Fui jantar ontem à noite no La Paillote, que saiu do Ipiranga e está na Melo Alves. Para meu imenso espanto, a mudança foi há dois anos. Eu só tinha reparado há umas duas semanas. Combinei de jantar lá com o Paulo Mortari e o Helinho Pires. Os dois chegaram antes de mim. No restaurante inteiro, só nós três. Até aí, tudo bem, porque aproveitamos para colocar todos os assuntos possíveis em dia, sem a preocupação que a conversa pudesse ser ouvida ou decodificada. Demos muita risada, gritos de espanto, falamos mal dos outros, foi uma delícia. A casa está na terceira geração de donos. Quem manda agora é uma neta do fundador francês, que manteve os clássicos do cardápio. Comemos o camarão à provençal, perfeito como sempre, e um camarão gratinado que estava muito bom. A famosa marjolaine de sobremesa. Deliciosa. É comida fora de moda, porque cheia de calorias, a gente come com culpa, mas tudo bem. A decoração também é demodée, querendo manter o clima do restaurante antigo, sem conseguir. Mas nos preços é que estava o segredo daquela desolação. Na porção vinham apenas três camarões, apesar de bem grandes. E o preço: R$ 50,00 reais por unidade de camarão. Moral da história, o Le Jazz, e o Domenico, que é novo e ainda não conheço, do outro lado da rua, pululavam de gente.


Vai fazer falta

May 22, 2013 |

Ponto de Vista

Não posso dizer que o Dr Ruy Mesquita tenha sido um pai para mim, porque eu tive, e ainda tenho um pai ótimo. Mas que minha convivência com ele, com seu irmão, com seus filhos foi determinante na minha vida e na minha formação como homem, cidadão e jornalista, não há dúvida. O Jornal da Tarde e o Estadão formaram uma legião de bem pensantes. Dr Ruy sempre foi o exemplo. Igual a eles, minha família apoiou o golpe de 64, contra o comunismo. Mas foi com os Mesquitas que eu entendi que o contrário do comunismo não é a ditadura de direita, que é igual com sinal invertido, mas a liberdade. Eu entrei para o JT muito jovem, no meio da faculdade, ainda em formação. Foi lá, para sorte minha, que eu me tornei o que sou, seguindo o exemplo que eu via. Sempre tive medo que, depois que o Dr Ruy se fosse, viria o dilúvio. Mas as palavras finais do texto de hoje do Fernão, no Estadão, por sinal muito bonito, me reconfortaram, e me derama esperança de que ainda haja força para seguir na defesa da liberdade na geração que tomará o timão. Salve Dr Ruy! Descanse em paz


Veja a minha participação no Jornal da Gazeta

May 16, 2013 |

Televisão

A Virada Cultural da cidade de São Paulo chega à sua 9ª edição, neste fim de semana, começando sábado às 18 horas, e terminando domingo no mesmo horário. Foi uma invenção de José Serra, quando prefeito, inspirado em projetos europeus. E deu tão certo que a Virada foi assumida pelo prefeito Kassab, e agora pelo prefeito Haddad. Muito bom para os paulistanos, que preservam esta agenda anual, uma noite cultural divertida, animada, e sem problemas de violência, já que o aparato de segurança que vai para as ruas garante o sossego e o sucesso. Quem nunca saiu às ruas na noite da Virada deve experimentar. Vai ter a sensação de estar em outro mundo.
Tudo fervilha. Tem arte, música, dança, teatro, saraus literários, gastronomia e performances para todos os gostos e idades. São 29 palcos espalhados pelo centro, com atrações se sucedendo sem interrupção. Um deles, no Jardim da Luz, receberá a Viradinha, só com programação infantil, mas em horários apropriados. Além disso, mais oito pistas de dança animadas por DJs. E mais as programações de todos os equipamentos das Secretarias de Cultura do Município e do Estado, e mais as programações de todos os equipamentos do Sesc na cidade, um grande parceiro do evento. É uma enormidade. Os realizadores falam em mais de 900 atrações, em 24 horas.
A Virada começa bem, com um grande cortejo que sai do Vale do Anhangabaú, reunindo mais de 20 blocos tradicionais, do Ilê Aye ao Toré dos Índios Pankararu e à Congada Divino Espírito Santo. Depois disso, o Vale vira um grande forró. Num dos palcos principais, o da Praça Julio Prestes, Daniela Mercury abre a noite de sábado acompanhada do Zimbo Trio. Depois vem Gal Costa. No domingo, tem Elza Soares, Renato Teixeira e Sergio Reis, Criolo, Mano Brown e os Racionais MC’s, e termina com o cubano Eliades Ochoa, do Buena Vista Social Club.
Pelo palco do Teatro Municipal, nos dois dias, desfilarão a Sinfônica Municipal, Fagner, Odair José, Angela Ro Ro, Wanderlea e Eumir Deodato. A Rua 25 de março ganha um palco para os novos talentos da MPB, como Céu, Otto e Luccas Santana; a nova Praça das Artes será o palco da dança; a nova praça Roosevelt será o endereço do teatro, adulto e infantil. Na Praça da Sé, o que já virou tradição, haverá 24horas de Stand Up, com nomes de sucesso como Fabio Porchat, Rafael Cortez e Danilo Gentili se revezando no palco. Na praça da República, uma homenagem ao grupo Fundo de Quintal, com Jorge Aragão. Outros homenageados da Virada serão Paulo Vanzolini, Chorão, Markus Ribas, todos falecidos em 2013, e o cineasta Carlos Reichenbach, que morreu em junho passado.
Os chefs de cozinha e botecos famosos viram a noite no Largo do Tesouro e passam o domingo na Avenida São Luiz.
Todos os museus e teatros e corpos artísticos do Estado e mais os museus e teatros privados participam com suas atrações. Tudo o que é público e do Sesc, será gratuito. Alguns museus privados, com o Masp e MAM, terão ingressos livres num dos dois dias. A programação completa pode ser consultada em viradacultural.org. Aproveitem.


Quero o dislike

May 14, 2013 |

Ponto de Vista

Por que, no Facebook, a gente só tem a opção de curtir? Por que não colocam a opção do dedo para baixo? No Instagram também não tem e deveria ter. Vamos começar uma campanha para ver se aquele meia f… do Zuckerberg, que além de tudo roubou a ideia de um brasileiro, cria logo esse dislike?


Veja a minha participação no Jornal da Gazeta

May 9, 2013 |

Televisão

A Orquestra Sinfônica de São Paulo recebe, esta semana,um maestro francês, Stéphane Denève, e uma pianista francesa, Hélène Grimaud, ambos ainda bastante jovens. Ela vem pela primeira vez ao Brasil, e é conhecida por suas interpretações emotivas e por suas campanhas em defesa dos animais. O programa, no entanto, tem pouco de francês. Grimaud e a Osesp vão apresentar o delicioso Concerto Nº 5 de Beethoven, o Concerto do Imperador, que ela considera um animal selvagem, que exige respeito e estudo para ser enfrentado. A orquestra mostra ainda três peças do contemporâneo escocês James MacMillan, que a Osesp homenageia esse ano com um ciclo de programas, e uma peça do francês Albert Roussel. De hoje a sábado na Sala São Paulo.
No teatro, destaque para duas montagens interessantes, uma baseada em Pirandello, outra em Nelson Rodrigues. Personagens em Busca de um Autor está em cartaz no Instituto Stanislavsky, em Higienópolis, aos sábados e domingos, só até o dia 19. Baseado no famoso texto do autor italiano, a adaptação fala sobre um grupo de personagens que invadem um ensaio, reclamando serem incompletos, e procuram um autor que lhes de vida. A direção é de Paulo Roffé. O Teatro Folha, também em Higienópolis, apresenta até o fim de junho As Noivas, de Nelson Rodrigues, baseado em contos do autor, da serie A Vida como Ela É. A montagem do diretor Marco Antonio Braz e da Cia Paulista de Artes vem de uma longa peregrinação pelo país e Portugal, pelo centenário do autor. E já carrega 60 prêmios. Após as apresentações, o elenco conversa com o público sobre o autor e sua obra.
Nas artes, destaque para a mostra sobre a obra do escultor Sergio Camargo, promovido pelo Instituto de Arte Contemporânea, atualmente abrigado na Escola de Belas Artes, na Vila Mariana.
O intuito do IAC, que preserva o acervo de Camargo, é o de aproximá-lo mais do público. A curadora é Piedade Grinberg, que trabalhou com ele nos seus últimos três anos. E que juntou na mostra, além de pequenas obras, cerca de 100 itens garimpados no arquivo do artista, entre fotos, desenhos, estudos e esquemas, que elucidam seu processo criativo. Até o fim de agosto. E a Pinacoteca está apresentando a mostra Seis Séculos de Pintura Chinesa, na coleção do Museu Cernuschi, de Paris. São 120 peças que percorrem a arte chinesa da Dinastia Ming à República. Há também obras de artistas chineses que nos anos 30 se refugiaram em Paris. E incluem obras de Zhang Dagian, considerado o Picasso chinês, que viveu em Mogi das Cruzes por 20 anos, antes de voltar a Taiwan.


Preço alto demais

May 6, 2013 |

Ponto de Vista

Acabo de receber mais uma multa de trânsito. Meu motorista dirigia na Teodoro Sampaio a 59 km por hora, e meu carro foi multado porque lá a velocidade permitida é 50 km/h. Fui multado porque estava 20 por cento a mais da velocidade permitida. Várias considerações: primeiro, que eu não sabia, nem meu motorista, que havia ruas em que se deveria andar a menos de 60 km/h. Achei que tinham estabelecido essa velocidade para todas as ruas da capital. Salvo as marginais, onde se anda a 70 ou 90 dependendo da pista. Depois, 20% a mais seria 60, não 59. A Prefeitura não quer saber. Multa por nada, porque fatura os tubos com as multas. Eu já perdi a carta três vezes. Não sei mais o que fazer. Acho que vou vender o carro e andar só de táxi. O metrô não vai onde eu quero. E não tenho tempo para ônibus. Talvez eu me mude daqui. Paga-se um preço alto demais para viver nesta cidade. Não justifica.