Duas perdas numa semana

May 27, 2013 |

Ponto de Vista

Gente, em uma semana perdemos o Dr Ruy Mesquita e o Roberto Civita, figuras essenciais do jornalismo sério e combativo que se faz em São Paulo. Lula e Dilma, embora mandem palavras sóbrias aos veículos de comunicação, devem estar bem satisfeitos. A tal “imprensa conservadora”, mencionada por Lula, que só atrapalha os planos de poder eterno do PT, e denuncia tanto as trapalhadas, quanto as incompetências, quanto a corrupção, está ficando desfalcada de líderes. Todos nós brasileiros contamos com Fernão e Gianca para tomarem os timões de Estadão e Veja/Abril, para que isso aqui não vire uma Argentina ou uma Venezuela. Porque, mesmo com imprensa livre, estamos lentamente escorregando naquela direção. Sem imprensa livre, será um mergulho no brejo e nas trevas.


Duas mostras de decoração

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Arte e Design

Entre ontem e hoje, dei uma espiada na Casa Cor, e uma boa visitada na Mostra Black. É claro que a segunda, por ser menor, mais íntima, este ano realizada num lugar deslumbrante, com uma vista que mostra o melhor angulo de SP, é mais prazerosa. Em pouco mais de uma hora você vê tudo, detalhadamente, perguntando sobre obras de arte, móveis de design, acabamentos. Gostei de praticamente tudo. Pra ser sincero, de 30 ambientes, não gostei de 3. E assim mesmo, não detestei. Mas não vou dizer quais são.

A Mostra Black, como no ano passado e no anterior, é muito homogenea na qualidade. Os medalhões confirmam a qualidade, e os novos acompanham muito bem. Não vou postar fotos, porque o Instagram está cheio delas, postadas pelos próprios arquitetos, e eu já fiquei enjoado de vê-las. A Casa Cor é mais complicada. Não é tudo que você quer ver. E o que você quer ver você não acha logo de cara. Mas garanto que, na média, está infinitamente superior às edições anteriores. Gostei até de dois jardins! Coisa que não acontecia faz tempo. Também não adianta ficar citando nomes. Adianta dizer que o Sig é um dos melhores cenógrafos que temos? Adianta dizer que o Migotto e o Dado acertaram em tudo? Adianta dizer que a Esther e a Rosa May são chiques? Isso é chover no molhado. Mas preciso dizer que fiquei muito impressionado com os espaços do Fabrizio Rollo e do Murilo Lomas. Muito elegantes, audaciosos nas misturas, projetos redondos, sem altos e baixos. Parabéns a todos das duas mostras. Valem uma visita


Veja a minha participação no Jornal da Gazeta

May 23, 2013 |

Televisão

A grande bailarina clássica Ana Botafogo está em São Paulo, desde ontem, no Teatro Geo, apresentando-se com Vera Lafer e a Studio 3 Cia de Dança e a Cia Sociedade Masculina. O espetáculo chama-se Cisnes, e se inspira em todos os grandes balés que tomaram o animal como assunto sobre músicas de Villa Lobos, Tchaikowsky, Saint Saens, Schubert e Sibelius. A direção e concepção são de Anselmo Zolla. As coreografias são dele, Luiz Arrieta e Olaf Schmidt, que também participam como bailarinos. No dia 28, Vera Lafer e a Studio 3 Cia de Dança apresentam outro espetáculo, no Teatro Sergio Cardoso. Trata-se de Permeados, coreografia de Jomar Mesquita e Rodrigo de Castro, com participação especial de Cauby Peixoto, cantando músicas de Baden Powell.
E mais dança, no sábado e domingo, no Sesc Bom Retiro:o Grupo Tápias Cia de Dança apresenta o espetáculo Abundância. São duas coreografias: Too Much, inspirada nos 7 pecados capitais, e Que Dia é Hoje, inspirada no texto Exigencias da Vida Moderna, de Luiz Fernando Veríssimo. As coreografias são de Flávia Tápias, que vive em Paris, e que as dança com Alexandre Bado.
O domingo traz para a cidade duas opções culturais gratuitas, uma popular e uma erudita, mas de igual qualidade e interesse. A primeira é a apresentação da cantora Vanessa da Mata, à tarde no Parque da Juventude, cantando só músicas de Tom Jobim. O show faz parte do projeto da Nivea, que homenageia os 50 anos do primeiro disco solo de Jobim, produzido nos Estados Unidos. Foi o mesmo ano da gravação do disco de Stan Getz e Astrud Gilberto cantando Jobim, também nos Estados Unidos. O projeto tem curadoria e direção de Monique Gardenberg e arranjos de Eumir Deodato. Quem já viu o espetáculo em Salvador, Recife, Brasília e Porto Alegre garante que é muito emocionante,e não há como duvidar disso.
A segunda opção é a apresentação da Orquestra Sinfônica de Yale, formada pelos alunos da universidade americana, regidos pelo maestro Toshiyuki Shimada, domingo à noite na Sala São Paulo. Trata-se de um evento especial da temporada de 2013 do Mozarteum Brasileiro. No programa, a abertura da ópera Guilherme Tell, de Rossini, a Sinfonia nº 5 de Beethoven e Quadros de Uma Exposição, de Mussorgski. Sabine Lovatelli, do Mozarteum, que tem muita ligação com todas as grandes escolas de música da Europa e Estados Unidos, garante que estes jovens são incríveis instrumentistas e que fazem o maior sucesso onde quer que se apresentem. Também não há porque duvidar.


Boa comida, preço salgado

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Gourmet

Fui jantar ontem à noite no La Paillote, que saiu do Ipiranga e está na Melo Alves. Para meu imenso espanto, a mudança foi há dois anos. Eu só tinha reparado há umas duas semanas. Combinei de jantar lá com o Paulo Mortari e o Helinho Pires. Os dois chegaram antes de mim. No restaurante inteiro, só nós três. Até aí, tudo bem, porque aproveitamos para colocar todos os assuntos possíveis em dia, sem a preocupação que a conversa pudesse ser ouvida ou decodificada. Demos muita risada, gritos de espanto, falamos mal dos outros, foi uma delícia. A casa está na terceira geração de donos. Quem manda agora é uma neta do fundador francês, que manteve os clássicos do cardápio. Comemos o camarão à provençal, perfeito como sempre, e um camarão gratinado que estava muito bom. A famosa marjolaine de sobremesa. Deliciosa. É comida fora de moda, porque cheia de calorias, a gente come com culpa, mas tudo bem. A decoração também é demodée, querendo manter o clima do restaurante antigo, sem conseguir. Mas nos preços é que estava o segredo daquela desolação. Na porção vinham apenas três camarões, apesar de bem grandes. E o preço: R$ 50,00 reais por unidade de camarão. Moral da história, o Le Jazz, e o Domenico, que é novo e ainda não conheço, do outro lado da rua, pululavam de gente.


Vai fazer falta

May 22, 2013 |

Ponto de Vista

Não posso dizer que o Dr Ruy Mesquita tenha sido um pai para mim, porque eu tive, e ainda tenho um pai ótimo. Mas que minha convivência com ele, com seu irmão, com seus filhos foi determinante na minha vida e na minha formação como homem, cidadão e jornalista, não há dúvida. O Jornal da Tarde e o Estadão formaram uma legião de bem pensantes. Dr Ruy sempre foi o exemplo. Igual a eles, minha família apoiou o golpe de 64, contra o comunismo. Mas foi com os Mesquitas que eu entendi que o contrário do comunismo não é a ditadura de direita, que é igual com sinal invertido, mas a liberdade. Eu entrei para o JT muito jovem, no meio da faculdade, ainda em formação. Foi lá, para sorte minha, que eu me tornei o que sou, seguindo o exemplo que eu via. Sempre tive medo que, depois que o Dr Ruy se fosse, viria o dilúvio. Mas as palavras finais do texto de hoje do Fernão, no Estadão, por sinal muito bonito, me reconfortaram, e me derama esperança de que ainda haja força para seguir na defesa da liberdade na geração que tomará o timão. Salve Dr Ruy! Descanse em paz