Veja a minha participação no Jornal da Gazeta

September 19, 2013 |

Televisão

Uma semana de boas novas atrações. Maria Fernanda Candido e Reynaldo Gianecchini estreiam amanhã no Teatro Faap a peça A Toca do Coelho, do americano David Lindsay Abaire. A trama fala de um casal que tenta se recompor e tocar a vida após um perda inesperada. Vão da felicidade plena a um clima de culpa, recriminação e sarcasmo. O texto é ótimo e bem atual, tanto que ganhou o premio Pulitzer de 2007. A direção geral é de Dan Stulbach. A temporada vai até o meio de dezembro.
A Fundação Bienal de São Paulo abre no sábado, para o público, a mostra 30 x Bienal, Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição. De todos os artistas brasileiros ou residentes no Brasil que participaram das Bienais, desde 1951, o curador Paulo Venancio Filho escolheu cerca de 110, numa lista que vai de Volpi a Adriana Varejão, de Danilo di Prete a Beatriz Milhazes, passando por todos os grandes nomes das gerações das décadas de 50, 60, 70, 80 até hoje. As obras mostradas são as próprias apresentadas nas Bienais, ou da mesma série, emprestadas por coleções públicas e privadas. Eu já vi a mostra, e o resultado é uma agradável viagem no tempo, mas com gosto de passado. A maioria das obras escolhidas estão em suportes tradicionais: pinturas, esculturas, desenhos e fotos. A mostra evita mostrar as importantes rupturas que as Bienais documentaram. Mas vale por si, pela qualidade da seleção. Até 8 de dezembro, na Bienal, no Ibirapuera.
A cidade recebe domingo a visita de um dos mais famosos corais do mundo: o dos Meninos Cantores de Viena, que tem uma história de mais de cinco séculos. A apresentação é matinal: 11h no Teatro Bradesco, na Pompéia. Cantam um repertório religioso tradicional, com obras de Mozart, Mendelssohn, Haydn, antigos sucessos vienenses, e peças contemporâneas do grupo Abba e sucessos de Michael Jackson. Adaptados, é claro. Do grupo total de 100 coralistas, São Paulo recebe cerca de 25 deles, todos entre 10 e 14 anos.
E o Credicard Hall será a sede do Alvin Ailey American Dance Theater em sua temporada paulista, que vai de hoje a domingo. O balé, formado apenas por dançarinos afro-americanos, é conhecido pela contemporaneidade de suas coreografias, e pela qualidade de seus componentes. Criado por Ailey nos anos 50, depois dirigido por Judith Jamison, que veio ao Brasil várias vezes, é hoje comandado por Robert Battle. Nos dois programas que o grupo apresenta está a coreografia Revelations, criada por Ailey em 1960, e pelo menos uma obra de Battle.
Estão aí quatro sugestões para públicos diferentes, mas todas imperdíveis.


Veja a minha participação no Jornal da Gazeta

September 12, 2013 |

Televisão

Muita música lírica e erudita, nos próximos dias na cidade. O Theatro Municipal de São Paulo estreia hoje uma montagem do Don Giovanni, de Mozart, segunda atração de sua Temporada Lírica 2013. A produção vem do Municipal de Santiago, no Chile. A direção cênica é do italiano Pier Francesco Maestrini, que resolveu comparar Don Giovanni ao conde Drácula. A regência é do maestro israelense Yoram David, que comanda a Sinfônica, o Coral Paulistano e um elenco ítalo brasileiro. No papel título revezam-se o baixo italiano Nicola Ulivieri e o barítono brasileiro Leonardo Neiva. Serão apenas seis apresentações, até o dia 22.
O maestro francês Yan Pascal Tortelier comanda a Orquestra Sinfônica do Estado, esta semana e a próxima. De hoje a sábado, ele rege um repertório coral-sinfônico com inspiração religiosa. O concerto tem a participação do Coro da Osesp e do Coro Acadêmico da Osesp e, como solistas convidados, a soprano Rosana Lamosa, a contralto Carolina Faria, o tenor Luciano Botelho e o baixo Savio Sperandio. O grupo interpreta a A Sinfonia Dos Salmos, de Stravinsky, e o Stabat Mater de Rossini.
A Sociedade de Cultura Artística traz ao seu teatro do Itaim dois concertos seguidos com estrelas internacionais. Na segunda-feira, dia 16, o novo virtuose do violino, o russo Andrey Baranov, vencedor do concurso Rainha Elisabeth de 2012, se apresenta acompanhado da irmã, a pianista Maria Baranova. Ambos muito jovens e pela primeira vez no Brasil. O programa reúne peças clássicas para o instrumento; a sonata Kreutzer, de Beethoven, a Sonata Póstuma de Ravel, e duas obras de Saint Saens. Na quarta, dia 18, e no sábado, 21, o mesmo palco recebe a pianista e compositora venezuelana Gabriela Montero, que tem surpreendido o público internacional com interpretações inovadoras e um extraordinário talento para a improvisação. Na primeira parte ela interpreta os Três Intermezzi para piano, de Brahms, e a Fantasia opus 17 de Schumann. Na segunda parte, ela acata sugestões do público e as transforma em inéditas composições clássicas. O que certamente vai divertir a plateia.
Mudando de assunto, a FAAP, em seu Museu de Arte Brasileira, no Pacaembu, abre no domingo uma imensa mostra da arte fotográfica de Klaus Mitteldorf. São 350 fotos, escolhidas pelo curador Rubes Fernandes Jr., que visitam 30 anos de trabalho do fotógrafo, no Brasil e no exterior. Estão representadas séries famosas, algumas transformadas em livros, como Norami, Divas, Flowers in Water, outras dedicadas a musas, como a modelo Ana Ivanow, e muitas inspiradas em sua fascinação pelo corpo feminino,a natureza e a água. Mitteldorf será homenageado também com um livro, que será distribuído no Brasil e Europa. A mostra fica em cartaz até 20 de outubro.



Telmo Martino

September 3, 2013 |

Ponto de Vista

Telmo Martino era meu amigo. Pelo menos foi, até uns anos atrás. Já não nos víamos mais, nem nos falávamos há muito tempo. Mas fomos tão amigos, em tempos idos, e antes do meu casamento com o Paulo, que a Gabí, uma noite, achou que a gente tinha um caso. Imaginem vocês… Tínhamos muita afinidade, é verdade. Trabalhamos juntos durante mais de uma década, no JT. Os melhores anos da minha vida, certamente da vida dele, e da vida de muita gente mais. Não vou ficar falando dos anos dourados do JT. Como diz Paul McCartney, quando eu falo daquele tempo, parece que estou falando do futuro. Éramos todos jovens. O Telmo tinha uns 20 anos mais do que a média, mas não parecia. E a convivência com aquela moçada o rejuvenescia. Quando elaborava suas maldades, ele mesmo ia rindo ao escrever. Éramos todos consultados na hora, para ver a reação. Tinha, ali mesmo, uma plateia. E alguns desafetos também, porque ele nunca escolheu para que lado atirar, nem jamais perdeu uma piada. Com isso, ganhou bons inimigos. Suas vítimas, no entanto, o respeitavam. Uma das mais famosas era Lina Bardi, que ele adorava amolar. A chamava de “a última fã de Veronica Lake”. Famosa por sua postura de esquerda, Lina era obrigada a ler, na coluna de Telmo, que ela cantava em casa hinos fascistas… Mario Chamie lhe deu um chute no traseiro, numa festa, porque era outra de suas vítimas. Ou ele ou sua mulher Emilie. E Jards Macalé entrou na redação de dedo em riste, insultando o Telmo, e só foi contido pelo tom decidido da voz de Vital Battaglia. Em compensação, muita gente só existiu porque saia nas colunas do Telmo. E artistas com o Rita Lee, por exemplo, contaram sempre com seus elogios estratosféricos. Quando não gostava, arrasava. Quando gostava, punha no céu. Aos que ficavam pelo meio, ele dedicava o mais profundo silêncio. Não eram bom material. Tenho muitas recordações da minha convivência com o Telmo. O que mais lhe agradeço foram as dicas que ele foi dando sem impor. Sobretudo leituras e músicas. Bobby Short eu descobri por causa dele, bem antes de vir ao Brasil. E uma vez lhe trouxe de presente um autógrafo de Short, que ele emoldurou. Conheci todas as casas do Telmo, em São Paulo e no Rio, menos a última. Todas extremamente elegantes e aconchegantes. Tudo o que ele tinha era escolhido a dedo, e tinha alguma história. Me mantinha a par de suas desavenças com os irmãos, que na verdade eram uns santos, e ele o implicante. E quando o Telmo implicava com alguém, não havia meios de demovê-lo… Mesmo morando no Rio, nos falávamos horas ao telefone, ele me contando de lá, e eu de cá. Mas os telefonemas começaram a rarear, de lado a lado. Telmo tinha virado um amigo difícil. Muito amargo, reclamão. Devo confessar que o último a ligar foi ele. Já faz tempo. Estou em paz com a minha consciência. Ajudei-o bastante, com amizade e atenção, em vários momentos em que precisou. Paulo me auxiliou nisso em algumas oportunidades. E se alguma coisa ficou para acertar, a gente acerta quando se reencontrar.



Um musical para Lula e Dilma

August 26, 2013 |

Ponto de Vista

O editorial principal do Estadão mostra direitinho como o governo do PT promete muitas vezes a mesma coisa, sem nunca realizar o que promete. No caso do patrimônio cultural, que não é uma prioridade, isso fica mais gritante. O editorial principal de hoje do Estadão é sobre isso. Me fez lembrar de um musical do fim dos anos 60, do Burt Bacharach, chamado Promises, Promises… Poderíamos montar aqui, com Lula e Dilma nos papeis principais…
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,promessas-recicladas-,1067895,0.htm