Aniversário

August 11, 2013 |

Ponto de Vista

Caros amigos, passado o aniversário, e assumidos os 65, faz-se necessária uma reflexão. Afinal, só quem passou por isso sabe como é. Voltemos um pouco no tempo. Eu detestei fazer 60 anos. O número é horrível, e faz um estrago imenso no âmbito pessoal e no profissional. Além do que, você não se sente um velho, e a sociedade, através de leis e costumes, quer colar um crachá de idoso no seu peito.

No ano passado, no entanto, no dia do meu aniversário, eu fui ao meu quiroprata, Dr Cris, que entrou na sala dizendo: “Parabéns, um ano a mais!”. E eu respondi, na mesma hora, sem pensar: “Um a menos…” Pensando nisso, depois, realizei que as portas da Terceira Idade se abrem para uma pessoa quando ela inverte a conta. Meu amigo Antonio Athayde, com sua verve habitual, comentou: “Pelo menos essa conta é incerta”. De fato, é.

Mas o que importa é que a gente começa a perceber que o horizonte ficou curto. Quanto tempo mais? Com muita sorte 15, 20 anos? Em que condições? A gente começa a ter pressa em certas coisas. Plantamos árvores grandes, nada de mudinhas que a gente não vai ver frondosas. Alguns projetos ficam urgentes, outros a gente aposenta. Começamos a notar os sinais de decadência física, e a temer, num futuro, a certeza da decrepitude e a eventualidade da demência.

Começamos a sentir os limites da idade. Por exemplo: no fim dos anos 60, eu cruzava a pé o Viaduto do Chá, para ir do escritório aos bancos. Ninguém era mais rápido que eu, a não ser meu pai, com sua passada de alpinista. Hoje, eu continuo o mesmo apressadinho, mas vejo os jovens passarem por mim sem fazer o menor esforço. O que acontece com o nosso passo? Encurta?

E as dores? No meu caso, hérnia de disco, bursite, epicondilite. Graças a Deus, uma por vez. Mas no outros vejo artroses, artrites, joelhos que não funcionam, quadris emperrados. Caetano Veloso também sabe disso, tanto que compôs Tudo Dói…

Além de todas estas sensações, infelizmente, estou assistindo meu pai definhar. Um campeão em tudo, agora dependente total, envergonhado, deprimido. Pesquisas recentes informam que não adianta a gente viver mais, porque vai viver mal. Estou vendo. Meu irmão, com humor, diz que bem antes disso vai tomar um trem espanhol, e sentar bem lá na frente…

Só levando com humor mesmo. E, para os que têm muita sorte, talvez uma paixão de outono. A escritora americana Edna Ferber, autora entre outras coisas de Show Boat e Giant, com um humor muito preciso, escreveu a melhor frase que conheço sobre isso: “Envelhecer é como morrer afogado – uma sensação deliciosa, depois que você pára de se debater …” É uma promessa generosa. Mas quero deixar bem claro que eu continuo me debatendo.


Ministro Mantega e o ET de Varginha

August 10, 2013 |

Ponto de Vista

Lendo o Rolf Kuntz no Estadão agora pouco, tive um insight! Descobri porque a presidenta tem tanto respeito pelo ET de Varginha… O Mantega é o ET de Varginha! E nós aqui nos perguntando quais seriam as qualificações dele para o cargo! Era tão simples e não enxergavamos… O artigo inteiro está no link
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,falta-saber-se-o-et-de-varginha-cre-no-governo-,1062519,0.htm



Ética relativa

August 7, 2013 |

Ponto de Vista

Lobão Filho acha que ética é relativa: cada um tem a sua. Fiquei horrorizado quando li. O problema no Brasil dos tempos atuais é esse mesmo: relativizaram a moral, a ética, os bons costumes, os sentimentos. O PT quer relativizar até a liberdade… No país todo, os petistas relativizam o peso do Mensalão, enquanto os tucanos dizem que o atual escândalo tem viés político. Tudo ficou … relativo. Só que Ética, Moral, Honestidade, não são conceitos relativos. Eles são os mesmos em qualquer lugar, e iguais para todos. É incrível como nos últimos 10 anos os conceitos se degradaram, os partidos se degradaram, as instituições se degradaram. Espero que tenhamos chegado ao fundo do poço, e que a recuperação dos conceitos e dos feitos esteja em andamento. Mas ainda não sinto isso. No fundo, é o que pedem os que vão para as ruas. Querem rumo, bons exemplos, boas notícias, horizontes claros. Ainda estamos no meio da neblina, uma neblina feita de incompetência, ignorância, más intenções. Que o sol volte a brilhar para iluminar os corações e mentes de quem tem o poder, em todas as instâncias. Ou que se troque esse poder, na hora certa, democraticamente. Para que o Brasil não perca mais tempo. Estou cansado de promessas. Me prometeram o futuro quando eu era criança, e isso já faz muitas décadas…