Veja minha participação no Jornal da Gazeta

November 6, 2015 |

Televisão

Os palcos paulistas estão cheios de novidades. E pelo menos uma nova experiência para o público. O Teatro Cego, da Companhia Caleidoscópio, que realiza o espetáculo “Acorda Amor” totalmente às escuras. Até a trilha sonora, toda de Chico Buarque, é tocada ao vivo, no escuro. Vozes, sons, cheiros e sensações tácteis contam uma história de amor em tempos de ditadura. O texto e a direção são de Paulo Palado. No teatro Mars, em curta temporada.
Quatro palcos do Sesc têm boas ofertas. No Sesc Vila Mariana, o brasileiro Ron Daniels, da Royal Shakespeare Company, dirige as peças “Macbeth”, às quintas e sábados, e “Medida por Medida”, às sextas e domingos. As duas têm o mesmo elenco, liderado por Giulia Gam e Thiago Lacerda. O Sesc Pinheiros, recebe Wajdi Mouawad, libanês radicado no Canadá, autor da peça “Incêndios”, estrelada por Marieta Severo, em 2014. Mouawad apresenta o monólogo “Solos”, somente hoje e amanhã. Em cena, um jovem preso num museu, questiona a vida, valores e cultura. No Sesc Santana, Roberto Alvim dirige a peça Fantasmas, de Ibsen, com um elenco que tem Guilherme Weber, Juliana Galdino, Pascoal da Conceição e Mário Bortolotto. A montagem se desenrola como um pesadelo sobre religião, hipocrisia, corrupção, loucura, incesto e eutanásia. E no Sesc Santo Amaro, Gero Camilo apresenta seu novo espetáculo “Caminham nus Empoeirados”, sobre dois atores desgarrados, que mambembeiam pela vida. É uma comédia e uma louvação ao teatro.
Finalmente, no Teatro Porto Seguro, a atriz e cantora Alessandra Maestrini faz um solo sobre o personagem Yentl, de Bashevis Singer, eternizado no cinema por Barbra Streisand. A jovem judia se faz passar por rapaz, para estudar as sagradas escrituras. Mas se apaixona e tem de rever seus planos. Música de Michel Legrand. Aproveitem.
Boa Noite.


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October 30, 2015 |

Televisão

Um texto de Harold Pinter inspirado num livro de Oliver Sacks estréia hoje no Teatro do Masp, em São Paulo. Impossível juntar melhores assinaturas para um espetáculo. O prêmio Nobel britânico, autor de tantos sucessos teatrais acordou um belo dia com a sensação de estar num mundo diferente. Lembrou-se do texto lido dez anos antes, do neurologista Sacks, recém falecido, chamado Tempo de Despertar. Contava a história verídica de uma mulher que saiu do coma depois de 29 anos, com a cabeça de uma adolescente, e tem de se relacionar com a irmã e o cunhado que passaram três décadas cuidando dela e tentando acordá-la. O caso é dos anos 60, o livro é dos anos 70, e a peça dos anos 80. Aqui a peça se chama Uma Espécie de Alasca, e foi adaptada e dirigida por Gabriel Fontes Paiva. Na montagem, de acabamento sofisticado, os personagens são representados por Yara de Novaes, Miriam Rinaldi e Jorge Emil.
E a Galeria Fortes Vilaça abriu esta semana uma mostra dos artistas cubanos Marco Castillo e Dagoberto Rodrigues, famosos no circuito internacional de arte como Los Carpinteros. A exposição ocupa os dois espaços da galeria, na Vila Madalena e na Barra Funda. São trabalhos inéditos inspirados na relação povo/poder, um tema recorrente na obra da dupla. No primeiro endereço, sob o título El Pueblo se Equivoca, várias obras foram reunidas para dar ao público a impressão de visitar uma fábrica de utopias. Na Barra Funda, são apresentadas duas instalações com o mesmo espírito. Galletitas dulces (biscoitos doces) é formada por bolachas de cerâmica, onde se lê a palavra corrupção em português. Constrictora é uma jiboia de 16 metros, pronta a esmagar o povo com seu bote, feita com broches tipo campanha política, com os nomes dos partidos brasileiros. Los Carpinteros vivem hoje entre Madri e Havana. Mas sua obra corre o mundo.
Boa Noite.