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April 24, 2015 |

Televisão

O diretor britânico Peter Brook é uma lenda-viva do teatro. Aos 90 anos, ele não para de produzir. E, por sorte nossa, gosta de trazer seus espetáculos ao Brasil. Dessa vez, ele apresenta “O Terno”, sua mais recente montagem, criada a partir do conto do escritor sul-africano Can Themba. A peça está em cartaz no Teatro Paulo Autran. Em cena, os atores Cherise Adams-Burnett, Jared McNeill e Ery Nzaramba. A história gira em torno de um terno, abandonado por um amante em fuga depois do flagra. Para castigar a esposa, o marido a faz tratar o terno como se fosse um convidado de honra, para que sempre se lembre de seu adultério. A peça é em inglês e tem legendas em português.
Outra dica dos palcos é “Visitando o Sr. Green”. A montagem, que foi estrelada por Cássio Scapin e Paulo Autran, há 15 anos, volta ao cartaz, agora com Sergio Mamberti e Ricardo Gelli, dirigidos pelo próprio Scapin. O espetáculo está em cartaz no Teatro Jaraguá e conta a história do convívio forçado entre um velho e solitário judeu ortodoxo e um jovem executivo.
E a Companhia Os Barulhentos traz, pela primeira vez ao Brasil, uma coletânea de 15 peças curtas do romeno Matéi Visniec, com a montagem “Aqui Estamos Com Milhares de Cães Vindos do Mar”, em cartaz no alternativo Espaço Elevador, na Bela Vista. A direção é de Rodrigo Spina, que comanda o elenco numa incursão por questões atuais como a solidão e a falta de comunicação entre as pessoas.
No Theatro Municipal, hoje, a noite é de ópera, com a encenação de “Um Homem Só”, de Camargo Guarnieri, e “Ainadamar”, do argentino Osvaldo Golijov. A direção cênica é de Caetano Vilela e regência do chileno-suíço Rodolfo Fischer. No elenco, destaque para o elogiado barítono brasileiro Rodrigo Esteves. Mais quatro récitas até o dia 30. Boa noite.





Salone del Mobile de Milão

April 21, 2015 |

Arte e Design

Meu amigo Helio Bork manda notícias do Salone del Mobile de Milão. Relato impecável. Não percam.
Salone de Milão 5
“Meu amigo querido a feira, a cada ano que passa tem menos novidades e sobra menos tempo pra ver o panorama geral. Nos 3 primeiros dias, somente reuniões em salas fechadas e negociações sem qualquer charme. Desde a crise de 2008, tudo ficou mais frio… poucas criações e muitas pressões comerciais.
Salone de Milão 2
Milão, este ano, já respira um pouco melhor após 4 anos consecutivos de sofrimento criativo. As fábricas do primeiro mundo estavam sempre acostumadas a enormes investimentos para embalar criações e experiências em design novo, mas estiveram entrincheiradas para sobreviver. Agora já recomeçando e após várias aquisições e “merges” novos e poucos investimentos ressurgem para inovar. O grupo Frau é o exemplo mais clássico. Composto da centenária Poltrona Frau, Cassina e Cappellini, investiu pesado em exposições, parcerias, eventos e novidades.
Salone de Milão 3
Segue…
Lembra-se do histórico showroom da Driade? Bem… esteve fechado 3 anos após o colapso dela e agora adquirido, junto aos 2 prédios laterais do número 30 da Via Manzoni (bem em frente ao QG de Giorgio Armani) pelo grupo Frau. Ao fundo, os afescos do século XVII ainda misturados ao excepcional trabalho artesanal em couro, junta-se a Bottega Veneta para o preview de uma futura coleção de mobiliário das duas marcas. Tbm apresenta o respeito a tradição com a demonstração de como ainda produz os clássicos do começo do século XX, como o Chesterfield ou a poltrona 1919 tal qual foram criados.
Salone de Milão 1
Ainda nas ruas, os pontos altos ficaram por conta da montagem sobre o Studio Nendo, cada vez mais consolidado, com um espaço impressionante montado pela Glas Italia, no Museo Della Permanente. Muito boa também a exposição agrupada pela Interni, na Universitá del Studi onde se vêem diversas apresentações, onde valem destacar as montagens de Kengo Kuma e Daniel Libeskind em uma espécie de crítica irônica aos jardins do futuro. Vale lembrar o belíssimo trabalho de José Roberto Moreira do Vale na curadoria da Brasil S/A. Desta feita, montagem com qualidade irrepreensível.
Salone de Milão 4
Na feira, percebe-se claramente o desgaste causado pelos anos de crise. Faltam alguns, reduziram-se outros e realocaram-se vários. Além, é claro, de evidentes repetições de estruturas de anos anteriores, afim de economizar nas montagens. Volta visivelmente os mármores, metais mais escuros, foscos e novos acabamentos, tipo estanhados ou niquelados. A cor que ouve é “Greyge”. Ou seja, tudo em uma classica mistura de bege e cinzas. Ainda sobrevivem esporadicamente algumas cores vivas salpicadas de laranjas e vermelhos. As madeiras continuam escuras em sua maioria e desde o ano passado, encorporado o Eucalipto escuro, provavelmente, mostrando a necessidade de uso de madeiras de replantio. Aliás, ecologicamente corretos é o que muito se fala em todos os lugares.
Salone de Milão 7
Este ramo, por características óbvias, tem extrema sensibilidade a questões ambientais.
Salone de Milão 6
Espero ter cumprido um pouco da minha missão”